Uma parcela adora falar que feministas não gostam de sexo, que são frígidas.
Outra parcela acha que feministas realmente não gostam de sexo, que são frígidas.
- E como essa galera sabe disso, hein? Você pode me perguntar.
- Já treparam com alguma feminista para fazer tal afirmativa?
Não, amigues, somente ouviram falar por aí. Mas isso os basta.
Muita gente também adora falar que o que nos falta mesmo é bom falo, grosso e grande(não o lacaniano). Que somos mal comidas e que só isso justificaria as nossas “defesas” e mimimimi.
(amiga lógica, me explica uma coisa: se não gostamos de sexo pra quê precisaríamos de um falo gigante? Ah, e depois tem outra: não somos promíscuas? Eu sinceramente não entendo essa zoeira toda o.O)
Esses discursos de ataque justificam-se por si. Aliás, qualquer movimento que incomoda e estremece os elementos que supostamente deveriam estar em ordem - no status quo-, causa reboliço. O feminismo é um desses movimentos. Não é a toa que ele faz tremendo barulho. Não é a toa que é atacado. Não é a toa que nós feministas somos atacadas.
Afinal, como fazer para manter os papéis de gênero e o comportamento embutido nesses?
Vamos meus amigos, as loucas feministas estão aí para destruir a unidade chamada família. Elas querem empregos e salários justos, elas querem prazer no sexo, elas querem ser DONAS DO PRÓPRIO CORPO. Co-mo assim? Quanta heresia!
Não digo que as coisas são simples, preto no branco, pensadas, calculadas. As relações - todas e quaisquer - são complexas. Mas as forças da estrutura, por mais abstratas que sejam, existem e nos guiam, comandam. Os ataques, muitas vezes, são sim calculados, propagados propositalmente. Outras vezes são manifestados como algo sintomático e aparentemente inofensivo - podendo ser uma opinião, uma propaganda de rádio/tevê, uma piada, etc. Mas são discursos.
O viver numa sociedade machista: a ordem e desordem.

Daí que vivemos numa sociedade que tem sua lógica de funcionamento. E as pessoas vivem nessa lógica há muito. E claro, tudo se torna até mais fácil quando há uma ordem, ainda que essa seja opressora. E as algumas pessoas preferem não questioná-la. E discursos – científicos, inclusive – nascem para legitimar essa dita ordem. E a coisa é forte, minha gente. Tão forte que parece que deve ser assim mesmo.
E argumentos que pretendem perseverar essa ordem existem em pencas, principalmente aqueles que pregam o comodismo safado de que essa é a nossa natureza. (Raso? Pra mim, totalmente). Alguns apelam para as diferenças físicas e caem numa lambança sem fim - Afinal, desde quando as diferenças físicas justificariam as diferenças sociais?- Outros fazem jogo baixo, mirando sua metralhadora de falácia, desprestigiando aquilo que não conseguem argumentar- mas que não querem que seja.
E é aí que entram as feministas. Essas mulheres subversivas (oi, estou aqui e adoro!) que questionam, criticam e militam pela equidade nessa miríade de relações totalmente desiguais e opressoras.
E elas(olha eu na terceira pessoa. interlocutora de mim mesma) são chatas, patrulham, não deixam os pensamentos machistas se propagarem aos 4 ventos sem antes apontar/fazer uma observação do sexismo que está presente nos discursos, nas relações.(juro que me sinto verdadeiramente elogiada cada vez que ouço um chata e patrulheira saindo da boca de um machista. É sinal que algo de estranho ele viu, mas que é muito mais fácil me atacar, é claro)
E a reação contra o feminismo/feministas são as mais diversas. Partindo do já batido não gostam de sexo/homens, mal-amadas, chegando até na pretensão de dominar o mundo e os homens.
Até porque se as feministas negam a lógica, a estrutura, logo só podem odiar os homens, né? (lógica, cadê você?). E depois como podem negar ocupar o papel que ocupam?
Logo, amigues, melhor vestirmos nossas camisetas reaças e sairmos por aí – pelos mais diversos canais - falando isso que concluímos há pouco: elas só podem não gostar dos homens, em conseguinte, de sexo. (e sexo é só isso, viu: pinto na xoxota. rsrs)
Sexo, o tema tabu da humanidade
Vamos falar o que é verdade? Sexo é assunto tabu desde a era vitoriana. Ou seja, tudo o que envolve sexo chama a atenção. Não seria diferente com a onda sexo&feministas. E é justamente por isso que existe esse clichê mentiroso de que feministas não gostam de sexo: porque choca - e porque se não gostamos de sexo, só podemos ser anormais e histéricas. e só isso justificaria pegarmos em tochas e sairmos criticando a estrutura: histeria. (jura que tem a ver? vale ler um pouco sobre a relação da repressão&histeria)
Eu sou feminista, eu amo sexo. Minha irmã é machista/conservadora, e minha irmã não curte sexo.
E uma coisa não tem nada a ver com a outra. Pessoas realmente podem não gostar de sexo. Mas APOSTO pra vocês que um simples ideal de mundo menos desigual não afeta em NADA a minha sexualidade. Nada. Minha libido realmente não tem nada a ver isso, gat@s.
Vamos pensar, gentes:
O fato é: vamos parar de falar besteira, gentes? Vamos parar de propagar clichês que vocês ouviram por aí sem sequer parar para questionar onde/como/por que eles existem?
Eu sou uma feminista, oquei? Eu defendo equidade, oquei?(logo não pretendo dominar o mundo nem homem nenhum, certo? O contrário disso é falácia)
Eu gosto muito de sexo, oquei?
E é isso, simples assim.
Aliás, nunca vi tanto esclarecimento e segurança sobre o assunto sexo/sexualidade como num grupo de feministas. E porque por lá não há restrições, cenas, mentiras ou inibições. Há realidade, sentimentos claros.
Feministas defendem a autonomia e a liberdade sexual, logo, como não gostaríamos de sexo? Não parece um contra senso feministas não gostarem de sexo? Pois então.
Talvez o que nós feministas não gostemos, e que alguns parecem não entender, são os sexos formatados, empacotados, vendidos. O sexo que se passa como idéia do que tem que ser.
Se trabalhamos na identificação e nas desconstruções dos papéis de gênero que o patriarcado nos impõe como forma de controle/opressão, como comprar/usar a quimera do sexo que vendem através das mídias ou dos discursos mais controladores, opressores, misóginos, imbecilizantes?
Sexo é uma interação maravilhosa, canal de prazer, e prazer em dar prazer. Sexo é jogo de cenas, mas um jogo consciente, aberto, verdadeiro. Sexo é lúdico. Sexo permite interpretar, brincar. Sexo é deitar nu ao lado da pessoa que você gosta. Sexo é comer o outro com o olhar, é se deliciar com o toque, com o beijo e com o gozo.
Sexo se faz debaixo das cobertas, na sala, no banheiro, quietinho, manso, barulhento, selvagem. Sexo não tem padrões, sexo não enumera gozos. Sexo é o simples prazer de estar, ainda que na virtualidade.



6 impressões:
Parece que na nossa sociedade, ainda muito machista, tudo se resume em ter ou não ter um homem.
Por isso tantas mulheres infelizes em relações desgastadas, só para não ser uma mulher sozinha.
Lamentável tudo isso!
Beijocas
Gosto muito do que você expõe aqui.
Eu concordo, quando você desconstói rapidamente esses tabus, da sociedade. E sim a questão do sexo é uma forma ainda se classificar ou desclassificar uma pessoa.Infelizmente a maioria só percebe ou vê aquilo que lhe interessa.Concordo com você!!!
Vida longa ao blog!
Beijim.
Exactamente isso..
“Uma parcela adora falar que feministas não gostam de sexo, que são frígidas.
Outra parcela acha que feministas realmente não gostam de sexo, que são frígidas.”
De onde veio que há duas parcelas que pensam igualmente, cara amiga feminista?
Eu sempre vi as feministas como pessoas que, tais quais outras, não estão contentes com determinada realidade, seja vivida ou assistida. E por isso criticam, argumentam e rechaçam qualquer ato, fala ou ideia que instigue a permanência ou expansão da realidade que é alvo da crítica. E ponto.
Percebe? Não ligo o fato de você ser feminista a qualquer questão de cunho íntimo.
Mas o que intento dizer aqui mesmo é que percebi em seu texto, destacadamente bem escrito e defensável, um leve preconceito a qualquer pessoa que não seja feminista, ao indicar dois lados que tachariam feministas da mesma maneira: revezes ao sexo. Por certo há um histórico em sua vida e em suas vivências de incompreensão e ignorância, que propiciaram tal argumentação, iniciando um texto tão prazeroso de forma tão indigna, demonstrando nas primeiras linhas alguma mágoa a qualquer um que carregue um olhar ímpar à sua visão de mundo, já esperando que tal sujeito seja obtuso.
Obviamente penso na hipótese de que o trecho que analiso seja apenas um artifício irônico inteligentemente inserido para servir como critica adicional, demonstrando que é comum determinada censura às feministas, porém mesmo se provando ser, creio e defendo que não é uma boa opção de construção de tese.
Peço que analise como os traços de seu discurso às vezes podem trabalhar para distanciar invés de atrair – e peço isso na conjetura de que você procura a compreensão de seus leitores na questão envolvida, questão essa de suma importância, uma vez que busca desmistificar quem é uma feminista, mostrando que ser uma não a coloca numa posição diferente de qualquer outro ser humano que é crítico; como se o fato de ser obrigasse o acompanhamento de características que não se podem dizer comuns em qualquer trecho amostral da sociedade.
Seu texto foi magistral e muito instrutivo, porém ficou sobrecarregado pela névoa de distanciamento causada pela argumentação inicial, que não pode ser utilizada como verdade incontestável. O leitor desinformado e despercebido não reparará, mas por suas próprias palavras, amiga feminista, formará uma opinião afastada da que você poderia pretender. E fará isso por que você mesma cria uma atmosfera de diferença e de função ímpar. O seu texto começa na defensiva e se escora num fato bruto (e não necessariamente real) que parece dizer que você é incompreendida, apesar de ter plena consciência do que defende, e as pessoas são ignorantes, não importa quem sejam. Jogar a população na mesma panela, apontando-a como única massa, é dizer ao seu leitor que você também vê o grupo diferente do seu de uma mesma e ignorante forma – e certamente isso não é verdade.
Há muitos os que compreendem no feminismo uma crítica que clama por ser compreendida, não atribuindo preconceitos ao tom crítico de suas falas. Lembre-se sempre disso. Melhor ainda, não precisa nem lembrar, pois sei que você sabe, principalmente por comentários que já li em seu belo blog. Então, melhor sugerindo, preocupe-se sempre em não parecer com os outros, afirmando realidades generalizadas, pois isso distancia e cria asco.
Certamente são poucos os que percebem a essência da crítica feminista, mesmo com explicações pormenorizadas e exaustivas das militantes exemplarmente e sempre presentes, porém existem. E se existem não podem ser ignorados. Certo?
Perdoe-me sinceramente por essa conversa talvez chata e desnecessária, passo as sugestões esperançoso apenas que seus textos sempre empolgantes e instigantes permaneçam ricos como costumam ser, porém sem tropeçar nas pedras das quais busca desviar, tal qual é essa questão de criar realidades que não existem.
Assim, finalizando: há ainda os que não olham para feministas e atribuem ao seu comportamento algo relacionado à sua vida íntima. Cá estou. E há muitos outros.
Parabéns pelo belo texto!
Contempladissima em tua fala.
Um Beijo.
Passeando pelos arredores, visitando blogs vizinhos, encontrei este seu canto e adorei seus textos!
Sou seguidora e convido-te a conhecer o meu cantinho tb.
Sinta-se à vontade Na minha Sala de Estar!
Um grande abraço!
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