Acho que minha primeira leitura sobre a questão do corpo foi a de Foucault. Alguns textinhos mui básicos no início da graduação, uma leitura meio torta da História da Sexualidade.
Um tema que de início não me fascinou tanto, mas que me intrigou, ainda mais quando comecei a observar meu reflexo de maneira mais profunda na tentativa de desvendá-lo, de entendê-lo e ver o que nele estava sendo inscrito. Também queria constatar se aquela imagem que avistava correspondia exatamente àquilo que eu sentia. E vice e versa.
Como você enxerga o seu corpo? Como você o entende? A realidade física e também a projetada, idealizada? Como funciona sua relação com essa máquina que realiza, que constrói, que deixa marcas na história humana, que promove cenas e símbolos heroicos. Aliás, como não ter em mente as inúmeras cenas corporais que funcionam como verdadeiras metáforas? O corpo encena, se expressa.
E como pensá-lo dentro dessa nova cultura cibernética onde o corpo inexiste? Nas relações virtuais onde não há corpos que se enlaçam, mas sim palavras, textos.
E no desejo de uma realidade esplendorosa, imaginada, desejamos destruir o nosso corpo.
A realidade virtual nos coloca em cheque entre o sentimento de estarmos presos ao nosso verdadeiro corpo estorvante/inútil, necessitado de cuidados, em contraponto à uma realidade perfeita e feliz sem essa preocupação, sem esse aborrecimento.
A comunicação sem rosto/carne favorece a criação de identidades múltiplas, fragmentando o sujeito que se relaciona, idealizando e escolhendo o perfil a ser apresentado. Inúmeras possibilidades, gêneros com códigos manipulados, com costumes corporificados. Idealizados, criados através de uma imaginação já formatada, sugestionada.
A sexualidade cibernética compartilha absolutamente desse imaginário do desaparecimento do corpo, assim como o desaparecimento do outro. E o erótico, por sua vez, alcança um nível supremo de higiene; asséptico: a eliminação do corpo físico em proveito do virtual. Com isso, distanciando-se das mais variadas doenças sexuais.
O discurso científico contemporâneo está muito próximo daquele proposto no século XIX, onde o corpo é pensado como uma matéria indiferente, um suporte da pessoa. E fundamentalmente distinto do 'sujeito', acaba se tornando um objeto, um receptáculo à disposição para a ação que visa, como objetivo final, melhorá-lo. Uma matéria na qual a identidade pessoal é diluída, esvaziada de seu valor, criando, assim, um outro/novo valor simbólico.
Partindo da premissa de que as máquinas não fazem história, mas sim os homens, unido a um excesso de conservadorismo presente em mim, questiono(com um certo incomodo): Como serão as relações futuras? Como serão as práticas sexuais futuras? Será que o contato físico será dispensado? Como serão as concepções humanas? Será que o sexo corporal será considerado algo marginal, meio impuro?



4 impressões:
Viajando na sua,pode vir a ser a real subversão,perversão...
bjo,
já tava com saudades tuas.
Percebo q meu corpo respeita mto meu estado de espírito, qdo estou bem tudo funciona como uma máquina, qdo estou mal, vão acontecendo falhas...
Bjusss
Corpo, por vezes, é uma prisão.
Esse foi o primeiro presente que ganhei do meu atual noivo...
O que será que ele queria dizer???
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