Sylvia Plath nos incomoda. Escancara a tristeza que lhe consome e nos joga na cara; sem dó nem piedade.
É impossível não sensibilizar-se com suas palavras de sangue. É impossível não notar seu mundo monocromático, escuro, pesado e depressivo...
Mas, em contrapartida, suas palavras de ordem onírica nos levam a um mundo feliz, com movimento, com vida - e com sede de vida.
Pena(?) que não foi nesse em que ela viveu.
PAPOULAS DE JULHO – Sylvia Plath
Ó papoulinhas, pequenas flamas do inferno,
Então não fazem mal?
Vocês vibram. É impossível tocá‐las.
Eu ponho as mãos entre as flamas. Nada me queima.
E me fatiga ficar a olhá‐las
Assim vibrantes, enrugadas e rubras, como a pele de uma boca.
Uma boca sangrando.
Pequenas franjas sangrentas!
Há vapores que não posso tocar.
Onde estão os narcóticos, as repugnantes cápsulas?
Se eu pudesse sangrar, ou dormir!
Se minha boca pudesse unir‐se a tal ferida!
Ou que seus licores filtrem‐se em mim, nessa cápsula de vidro,
Entorpecendo e apaziguando.
Mas sem cor. Sem cor alguma.
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Uma música para Sylvia.
Grey Street
- Dave Matthews Band
Oh look at how she listens
She says nothing of what she thinks
She just goes stumbling through her memories
Staring out on to Grey Street
She thinks, “Hey,
How did I come to this?
I dream myself a thousand times around the world,
But I can’t get out of this place”
There’s an emptiness inside her
And she’d do anything to fill it in
But all the colors mix together - to grey
And it breaks her heart
How she wishes it was different
She prays to God most every night
And though she swears it doesn’t listen
There’s still a hope in her it might
She says, “I pray
But they fall on deaf ears,
Am I supposed to take it on myself?
To get out of this place”
There’s loneliness inside her
And she’d do anything to fill it in
And though it’s red blood bleeding from her now
It feels like cold blue ice in her heart
When all the colors mix together - to grey
And it breaks her heart
There’s a stranger speaks outside her door
Says take what you can from your dreams
Make them as real as anything
It’d take the work out of the courage
But she says, “Please
There’s a crazy man that’s creeping outside my door,
I live on the corner of Grey Street and the end of the world”
There’s an emptiness inside her
And she’d do anything to fill it in
And though it’s red blood bleeding from her now
It’s more like cold blue ice in her heart
She feels like kicking out all the windows
And setting fire to this life
She could change everything about her using colors bold and bright
But all the colors mix together - to grey
And it breaks her heart
It breaks her heart
To grey



5 impressões:
vc é uma grande consumidora cultural (acho que já tinha te dito isso)....gosto de visitar regularmente vc...
PS.: nca me tinha ocorrido a coincidência dos nomes em A Insustentável Leveza do Ser.
beijocas
Ai, mas eu me identifico demais com a depressão dela. Olha isso cara “Eles não podem exigir de mim mais que o melhor, e só eu sei realmente onde se situam os limites da definição de melhor. Tenho escolha: fugir da vida e me desgraçar para sempre, pois não posso ser perfeita de cara, sem dor e fracasso, ou enfrentar a vida em meus próprios termos e fazer o melhor possível". Nossa, Van, me identifico demais.
Gosto demais de "Papoulas de Julho". É um dos poemas dela do qual mais gosto. Retribuo-te com outro, que também é maravilhoso.
Beijos.
"Febre 40º"
Pura? Como assim?
As línguas do inferno
São sujas, sujas como as três
Línguas do sujo e gordo Cérbero
Que arfa ao portão. Incapaz
De lamber e limpar
O membro em febre, o pecado, o pecado.
A chama chora.
O cheiro inconfundível
De um toco de vela!
Amor, amor, a fumaça escapa de mim
Como a echárpe de Isadora, e temo
Que uma das pontas ancore-se na roda.
Uma fumaça amarela e lenta assim
faz de si seu elemento. Não vai subir,
Mas envolver o globo
Sufocando o velho e o oprimido,
O frágil
Bebê em seu berço,
Orquídea pálida
Suspensa em seu jardim suspenso no ar,
Leopardo diabólico!
A radiação o embarque
E o mata em uma hora.
Engordurando os corpos dos adúlteros
Como as cinzas de Hiroshima que os devora.
O pecado. O pecado.
Meu bem, passei a noite
Me virando, indo e vindo, indo e vindo,
Os lençóis me oprimindo como o beijo de um devasso.
Três dias. Três noites.
Limonada, canja
Aguarda, água me deixe enjoada.
Sou pura demais pra você ou pra qualquer um.
Seu corpo
Me ofende como o mundo ofende Deus. Sou uma lanterna -
Minha cabeça uma lua
De papel japonês, minha pele folheada a ouro
Infinitamente delicada e infinitamente cara.
Meu calor não te assusta. Nem minha luz.
Sou uma camélia imensa
Que oscila e jorra e brilha, gozo a gozo.
Acho que estou chegando,
Acho que posso levantar -
Contas de metal ardente voam, e eu, amor, eu
Sou uma virgem pura
De acetileno
Cercada de rosas,
De beijos, de querubins,
Ou do que sejam essas coisas róseas.
Não você, nem ele,
Não ele, nem ele
(Eu me dissolvo toda, anágua de puta velha) -
Ao Paraíso.
Oi querida, obrigada pelo seu comentário lá no meu blog, eu só acho que ela não é nem uma tontinha e sabia das conseqüências dos seu atos e deve assumi-las, assumiu comportamento de risco qd n usou anti concepcional e n usou camisinha, então, ela deu brecha...acho que apoiar o aborto seria como jogar a sujeira pra debaixo do tapete, seria mimá-la e tá na hora de ela crescer sim.
Amiga do último comentário,
Filho não pode ser uma 'prenda' de um ato irresponsável; filho tem que ser desejado e querido.
não importa se ela usava ou não o anticoncepcional...trabalhe com a realidade: falhou, e agora? o que fazer?
pensando dessa forma, vc tb a está punindo; esse pensamento é a lógica da punição.
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