segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Um homem de história(s).

Aos 25 escrevia:

'Preciso me acostumar de uma vez por todas à idéia de que sou excepcional e uma pessoa à frente de sua época, ou então terei uma natureza intolerável, insociável, facilmente insatisfeita(...) Não conheci nenhum homem moralmente tão bom quanto eu, ou disposto como o sou a sacrificar tudo em favor das próprias idéias. É por isso que não consigo encontrar uma companhia com a qual me sinta à vontade' *

Presunção? Soberba? Pretensão? Arrogância? Vaidade?

Nada estranho para um homem que no final da vida repudiou a literatura, alegando ter encontrado seu verdadeiro destino: o de profetizar.

Mas precisei abstrair algumas/muitas características pessoais de Tolstói - que por razões subjetivas me incomodou demais - para que realmente pudesse entendê-lo; entender o porque da citação acima.

Como realista, Tolstói possuía uma inteligência orientadora, manifestava-se, esclarecia. Relacionava-se com o verdadeiro ambiente social em que seus personagens viviam, assim como as condições da sociedade; o mundo concreto, físico.

Preocupava-se demais com as palavras, temia que essas pudessem obstruir a verdade... E, por vezes, tornou-se redundante, mas unicamente em razão dessa proposta: 'a de dizer a verdade, nada além da verdade'.

Sua sensibilidade lhe permitia ver a mentira na vida, 'a mentira da vida, as coisas como parecem ser, mas não são', a aparência que ilude em contraponto à realidade por ele defendida.

Quando me deparei com essa compreensão, passei e pude vê-lo despido e próximo de um humano que desejava se pronunciar àquilo que o incomodava, e que parecia não haver entendimento em terra.

Daí meus ânimos afagaram. Ufa!

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Porém...
Como sou solidária exclusivamente às mulheres, foi inevitável o meu mal estar com a figura de Tolstói.
É impressionante, pessoas, mas mesmo que considerando o período histórico em que estava inserido, o seu desprezo moral e psicológico pelas mulheres e pela imagem feminina, é praticamente injustificável - Muito contemporâneos não possuíam esses mesmos ideais...

Para ele, as mulheres serviam apenas para serem possuídas; nada mais.

E como gosto de dividir aquilo que descubro, depois volto pra contar um pouco mais sobre Tolstói&Mulheres.


* Os Realistas, Snow, C.P.

domingo, 22 de novembro de 2009

Pomplamoose.

E quando você acredita que tudo está perdido. E quando você imagina que não mais há idéias para encaminhar o nosso amado e idolatrado salve-salve 'roquenrou'. E quando você mãedinaminiza-total, acreditando que só nos restam compilações e mais compilações...

E eis que resolvi fuçar o blog do Fernando.

E eis que descobri Pomplamoose.

E eis que cá divido - com vós mercê-, essa bela dupla-de-dois.

E eis que minha fé na humanidade se perpetua...


Interessantíssimo o trabalho deles... E a minha cara, lógico.

Imagine se não amei vê-la cantar essa música. Logo eu, viciada assumida em Noviça Rebelde.

E eu me divirto!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Subperonismo de quem???

FHC me irrita; suas vagas palavras me irritam demais; época de campanha eleitoral me irrita demais-ao-quadrado; a direita e seu discursinho irritante me causa tédio e nojinho.

Bleact.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Comunicar-se: mais do que um exercício de cidadania; um direito de todos.

A comunicação é veículo importantíssimo de inserção social. É através dela que os oprimidos, as minorias criam vozes.

E comunicar-se não é somente receber a informação/idéia, mas sim transmitir, opinar, discutir. O comunicar é, sobretudo, elemento e exercício fundamental de uma democracia.

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Encontrei esse curta-documentário fantástico nesse blog bacaníssimo – que, aliás, descobri faz pouquíssimo tempo, mas que virei fã - e justamente pelo fato da autora focar seus estudos numa área que me interessa deveras: mídia e mulheres.

O diretor do curta abordou quase com exclusividade o caso da mídia televisiva; assim como as intempéries de se criar um veículo informativo numa sociedade onde a comunicação(particularmente o rádio e a tevê) é exclusividade de poucos - e fortes senhores.

 

Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.

Roteiro, direção e edição: Pedro Ekman
Produção executiva e produção de elenco: Daniele Ricieri
Direção de Fotografia e câmera: Thomas Miguez
Direção de Arte: Anna Luiza Marques
Produção de Locação: Diogo Moyses
Produção de Arte: Bia Barbosa
Pesquisa de imagens: Miriam Duenhas
Pesquisa de vídeos: Natália Rodrigues
Animações: Pedro Ekman
Voz: José Rubens Chachá

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sylvia Plath.

Sylvia Plath nos incomoda. Escancara a tristeza que lhe consome e nos joga na cara; sem dó nem piedade.

É impossível não sensibilizar-se com suas palavras de sangue. É impossível não notar seu mundo monocromático, escuro, pesado e depressivo...

Mas, em contrapartida, suas palavras de ordem onírica nos levam a um mundo feliz, com movimento, com vida - e com sede de vida.

Pena(?) que não foi nesse em que ela viveu.


PAPOULAS DE JULHO – Sylvia Plath

Ó papoulinhas, pequenas flamas do inferno,
Então não fazem mal?
Vocês vibram. É impossível tocá‐las.
Eu ponho as mãos entre as flamas. Nada me queima.
E me fatiga ficar a olhá‐las
Assim vibrantes, enrugadas e rubras, como a pele de uma boca.
Uma boca sangrando.
Pequenas franjas sangrentas!
Há vapores que não posso tocar.
Onde estão os narcóticos, as repugnantes cápsulas?
Se eu pudesse sangrar, ou dormir!
Se minha boca pudesse unir‐se a tal ferida!
Ou que seus licores filtrem‐se em mim, nessa cápsula de vidro,
Entorpecendo e apaziguando.
Mas sem cor. Sem cor alguma.

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Uma música para Sylvia.

Grey Street
- Dave Matthews Band

Oh look at how she listens
She says nothing of what she thinks
She just goes stumbling through her memories
Staring out on to Grey Street

She thinks, “Hey,
How did I come to this?
I dream myself a thousand times around the world,
But I can’t get out of this place”

There’s an emptiness inside her
And she’d do anything to fill it in
But all the colors mix together - to grey
And it breaks her heart

How she wishes it was different
She prays to God most every night
And though she swears it doesn’t listen
There’s still a hope in her it might

She says, “I pray
But they fall on deaf ears,
Am I supposed to take it on myself?
To get out of this place”

There’s loneliness inside her
And she’d do anything to fill it in
And though it’s red blood bleeding from her now
It feels like cold blue ice in her heart
When all the colors mix together - to grey
And it breaks her heart

There’s a stranger speaks outside her door
Says take what you can from your dreams
Make them as real as anything
It’d take the work out of the courage

But she says, “Please
There’s a crazy man that’s creeping outside my door,
I live on the corner of Grey Street and the end of the world”

There’s an emptiness inside her
And she’d do anything to fill it in
And though it’s red blood bleeding from her now
It’s more like cold blue ice in her heart
She feels like kicking out all the windows
And setting fire to this life
She could change everything about her using colors bold and bright
But all the colors mix together - to grey
And it breaks her heart
It breaks her heart
To grey